quinta-feira, 14 de setembro de 2006

O Sonho Acabou

Depois de uma briga acirrada entre os dirigentes do Partido Verde no Amazonas e da incompreensão de regras políticas, vai-se embora um sonho de um coariense em ser um representante na Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas, pois os candidatos estão desistindo e com isso o partido não consiguirá o coeficiente necessário para disputar as vagas.
Acompanhei a vida do Wilsão, podem não acreditar, mas não era uma brincadeira, era um sonho realizável, sério e dentro de suas possibilidades.
Difícil compreender se é verdadeiro este sonho, visto não acreditarmos em políticos, mas era; e abandonar um sonho deste tamanho, com um prejuízo emocional e material incalculável, é problemático para todo um grupo de pessoas que acreditavam, uns por interesse, outros por convicção, nesta possibilidade.
Não tenho interesse em ser candidato e assumi esta função na Câmara para não deixar meu irmão cair nas garras de "inimigos" políticos que passaram estes dois anos entrando com processos na justiça. Defendi todos, ganhamos todos. Mostrei a licitação da reforma na Câmara em três instâncias da nossa justiça, não tinham mais o que reclamar, chegaram a roubar cópias dos nossos cheques, copiando o nosso programa. Pra mim que sou político convicto, mas não sou partidário, vou ter um pouco mais de calma, voltando aos meus estudos, que tanto gosto.
Fiquei triste com a forma de se fazer política nos meios políticos.
Implantamos a Gestão Participativa na Câmara, pois foi nesta área que fiz a minha pós-graduação com o tema "Gestão Participativa na Administração Pública", não conseguimos trazer o coariense para participar das ações da Câmara, mas conseguimos com os funcionários, que discutira seu próprio Plano de Cargos e Carreiras, incluindo nisto o salário.
Desculpem, mas estou colocando para fora...

domingo, 10 de setembro de 2006

Turismo


Olha o tamanho do lago de Coari, que se divide em três possibilidades de exploração para o turismo.

Rio Preto da Eva


Nâo conseguir saber dos moradores a verdadeira história do nome da cidade, mas fiquei alegre pela recepçao que tivemos lá. Um tratamento com iguarias da nossa região. Um pequeno rio sendo explorado para o turismo de uma maneira sustentável.
Fiquei pensativo em verificar que o Rio Preto deles não se compara ao nosso lago de Coari.
Não sei porque, mas devemos tomar consciência de nosso potencial no ecoturismo e participarmos ativamente deste projeto, que pode ser uma solução viável na construção de novos empregos.
O tambaqui e o pacu fritos na hora, nos deixou até agora com água na boca.

Sentindo-me Mal

Resolvi assistir um documentário do canal National Geographic, onde se discute "O Código Da Vinci". Especialistas em todas as áreas ficam tentando explicar uma situação meio constrangedora para o Cristianismo.
Ao ver uma cena em que Jesus se beija na boca com a sua provável esposa Maria Madalena, fiquei constrangido, perplexo pela possibilidade de todos os ensinamentos dos meus pais, onde endeusaram Jesus Cristo e não se podia, em qualque hipótese, duvidar de tão verdadeiramente verdade absoluta. As pretensõe do autor foram conseguidas, vendeu toda a sua história, mas todo mundo que o está lendo fica procurando uma nova crença, sempre se proucura. por isso temos tantas dúvidas e brigamos por estas crenças.
Religião é cultura e toda cultura foi criada pela humanidade, querer mudar é perigoso e ao mesmo tempo válido. Devemos sempre olhar com atitude crítica...

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Ciranda III

4. Cosnciente da função do cristianismo, encheram a Amazônia de "Salvadores de Almas", desrespeitando consideravelmente a cultura do caboclo amazônico, tornando-os rebanhos calmos e lerdos, isto é, a Igreja Católica preparava a mão-de-obra escrava.
E a gente não ver o clero pedindo pelo menos desculpas pelas atrocidades causadas aos povos da Amazônia.
5o. O livro "Expressão Amazonense - do colonialismo ao neo-colonialismo" de Márcio Souza, tradua a preocupação da Ciranda de Manacapuru "Flor Matizada", preocupação com o futuro, coisa que não pensamos no ápice da borracha. Nos preocupamos em "copiar" a moda européia, viver o presente, esnobando o futuro. Faltou-nos capacidade de lanejarmos a extração do látex sustentável. Fomos inteiramente irresponsáveis com nossos filhos. O jeitinho brasileiro funcionando de novo....
fim.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

CIRANDA II

Auto-avaliar o nosso passado para construir-mos um futuro melhor, nos remete a uma discussão calorosa e difícil de aceitar e oureconhecer nossos erros.
A relação entre criador (europeus) e a criatura (brasileiros) foi tremendamente assustadora:
  1. Faz-se um estudo detalhado sobre a região amazônica com coleta de materiais, buscando sempre o enrriquecimento. Pelos menos, a coleta de dados da Amazônia trouxe uma ajuda a Charles Darwin na formulação da Teoria da Evolução das Espécies.
  2. A borracha passa a ser um artigo essencial na evolução da tecnologia e, consequentemente, os portugueses montam uma estratégia simples, mas funcional. Trás o nordestino para se juntar ao índio amazônico, iniciando o processo de aculuramento forçado.
  3. O caboclo (índio) se revolta com a situação de escravos em que estavam inseridos. Esta não aceitação provocou uma matança desenfreada, dizimando tribos inteiras, colocando o caboclo amazonense no topo da lista de animais extintos...

Ciranda flor Matizada

HEVEA BRASILIENSIS: UM CONTO AMAZÔNICO

A criatividade dos organizadores da ciranda "Flor Matizada" de Manacapuru nos proorciona uma reflexão no sentido de criarmos uma cultura tipicamente coariense em nosso festival.
Participamos dos bumbás Corre Campo e Rei Garantido, onde até os nomes foram copiados, tanto de Manaus quanto de Parintins. O boi bumbá não vingou, o seu ápice foi em 1993 com um repasse muito bom do governo municipal Odair.
Num segundo momento, implantamos as danças internacionais, onde coordenamos a Dança internacional Libanesa, que disputava com a "Cigana" e a "Dança Espanhola", não vingou como uma atração chamativa.
Hoje, vemos o crescimento da Ciranda.
Dentre estas tentativas, o Governo Municipal em toda a história, tem uma parcela de colaboração, por não ter investido com apoio financeiro e intelectual em um festival que cultue a criatividade nascida no berço de Coari.
Uma solução viável, é o apoio das quadrilhas luxos...

sábado, 15 de julho de 2006

João Cabral de Melo Neto

Tenho tentado descobrir textos que toquem tanto a razão quanto o sentimento, impulsionando-nos à reflexão. A arte da palavra sendo bonita e inteligente.
Neste Fragmento de “Morte e Vida Severina”, João Cabral mostra o funeral de um lavrador e sua ligação com a terra, fazendo uma crítica social, o nordestino sendo consumido para o nada...

Funeral do Lavrador
_ Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.
_ É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.
_ Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
_ É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
_ É uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.
_ É uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.
_ Viverás, e para sempre,
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
_ Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
_ Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
_ Trabalharás, uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.
_ Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo e colheita.
_ Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do nordeste.
_ Será de terra
tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.
_ Será de terra
e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.
_ Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.
_ Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.
_ Tua roupa melhor
será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem remenda.
_ Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.
_ Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).
_ Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo).
_ Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).
_ Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).
_ Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos).
_ Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).
Morte e Vida Severina - fragmento

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Parabéns

A evolução do município de Coari não tem limites...
O www.paroquiacoari.com.br traduz esta nova realidade, provocando em mim um sentimento de saudades dos meus pais que tanto prezavam esta paróquia, cada um a seu modo...
parabéns pelo site. Que pena que o acesso a internet ainda não chegou em todos os lares coarienses e principalmente em nosso interior...
Mas, continuem, pois vai chegar...
As pessoas, como vocês, continuam a respeitar as suas tradições religiosas.
PARABÉNS...

domingo, 2 de julho de 2006

Felicidade e Infelicidade

Fernando Pessoa, poeta português, que participou da implantação do Modernismo em Portugal, nos fala que é preciso ser natural e calmo na felicidade e na infelicidade, que devemos conhecer a infelicidade para podermos entender a realidade em que estamos submetidos.

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso se de ver em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Nietzsche´s Labyrinth

1ª. Parte
Logo no prefácio de seu livro, Nietzsche argumenta que a sua idéia provavelmente não será compreendida em seu tempo: “Alguns homens nascem póstumos”.
O tema que discorre é, numa sociedade cristã, difícil, não para ser aceito e sim e principalmente para ser discutido, pela nossa incoerência. Faz uma alusão aos Hiperbóreos, povo que segundo a crença grega, vivia em permanente felicidade, que nunca guerreava, adoecia ou envelhecia. No entanto, o povo europeu conheceu o cristianismo, com a referida promessa de um mundo parecido com o dos Hiperbóreos, tornando-se, conforme os ensinamentos, “A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos – o cristianismo...”.
Em sua proposição, o homem moderno perdeu a essência da luta pela vida, a busca do conhecimento para o bem-estar da humanidade e se transformou “num animal doméstico, o animal de rebanho, a doentia besta humana: o cristão...”

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Aculturamento

Quando Francisco Orellana avistou a tribo formada só de mulheres e comparou-as a tribo das Amazonas, situadas primeiramente no Cáucaso e depois em Copadócio, às margens do rio Termodonte, nomeando o nosso rio de "Rio das Amazonas", iniciou-se o processo de aculturamento na região amazônica.
Tanto espanhóis quanto portugueses, o europeu de modo geral, veio com a finalidade de enriquecer os seus cofres e para justificar esta ganância, abarrotaram de religiosos a nossa região, afirmando que o povo brasileiro necessitava ser salvo, ser resgatado de uma vida profana, errada, sujeita à destruição.
A igreja católica ciente de seus deveres e consciente da realidade, faz a função heróica de salvar, instruindo/alienando o povo amazônico, obstruindo o sistema de aculturamento, processo demorado que salvaria diversas culturas no Amazonas.
Em nome de Deus, os líderes cristãos usam de artimanhas, conscientemente, visto que estudam, para anestesiar a sociedade.
O caminhar juntos, respeitando a liberdade de viver conforme a sua cultura é essencialmente valioso para adquirirmos respeito e dignidade para as novas gerações.
A leitura é importantíssima para a abertura de discursões que integram a comunidade;
"Como um rio, que nasce
de outros, saber seguir
junto com outros sendo
e noutros se prolongando
e construir o encontro
com as águas grandes
do oceano sem fim."
( Thiago de Mello)
Não existe uma cultura melhor que a outra, mas existe a tolerância e a humildade, que regem todos os outros confrontos.

sábado, 10 de junho de 2006

O Caminho da Humanidade



A visita do Presidente Luis Inácio Lula da Silva em nosso município para dar início às obras da construção do gasoduto Coari-Manaus nos trouxe um dilema:

Será.....


No passado, as religiões, principalmente a Católica, impediam a evolução natural do conhecimento científico e filosófico, discriminando e excomungando os grandes pensadores. Em nome de Deus e da salvação dificultava ao máximo a evolução intelectual da humanidade, com receio de prejudicar a "fé cristã".

Hoje, sentimos o mesmo acontecendo, como se o mundo fosse um grande aspiral, tudo voltando, acontecendo da mesma maneira.

O sistema capitalista e o mundo milionário do petróleo não deixam as descobertas tecnológicas, quanto a fonte de energia, seguirem seu curso normal. A maior fonte de energia, o sol, não é explorado, idéias de como usá-lo temos, se essas idéias se concretizarem acabaríamos com os investimentos altíssimos e as grandes guerras do petróleo, desequilibrando o sistema monetário internacional, derrubando o Capitalismo, como em 1929.

Um grande passo que o Presidente Lula deu aqui em Coari foi considerado um avanço para a humanidade e principalmente para a nossa comunidade de um povo que está super atrasado no seu próprio tempo, sem poder ser o sujeito da procura por uma vida melhor.

Não nos deixam caminhar...

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Trovadorismo

As cantigas de amigo, ao contrário, tiveram origem na própria Península Ibérica e apresentam uma diferença fundamental em relação à cantiga de amor, o trovador compõe sua cantiga como se fosse uma mulher contando o seu sofrimento à espera do namorado (chamado amigo). Nessa composição, os elementos da natureza (flores, árvores, praias etc.) aparecem assim como pesso-as do ambiente familiar (mãe, amigas etc) atribuindo à cantiga um caráter popular.
Cantiga de amigos

Enquanto Deus me der vida,
viverei triste e coitada,
porque se foi meu amigo,
e disso fui a culpada,
pois me zanguei com ele
quando daqui se partia;
por Deus se agora voltasse,
muito alegre eu ficaria
E sei que andei muito mal
em zangar-me como fiz,
porque ele o não merecia
e se foi muito infeliz,
pois que me zanguei com ele
quando daqui se partia:
por Deus se agora voltasse,
muito alegre eu ficaria.
Certamente ele supõe
que comigo está perdido,
do contrário, voltaria,
porém, sente-se ofendido,
por que me zanguei com ele
quando daqui partia:
por Deus se agora voltasse,
muito alegre eu ficaria.
Juan Lopes D’Uchoa apud C. Berardinelli, op.cit.p. 65

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Para Reflexâo

A REFORMA RELIGIOSA
No fim da Idade Média, o crescente desprestígio da Igreja do Ocidente, mais interessada no próprio enriquecimento material do que na orientação espiritual dos fiéis; a progressiva secularização da vida social, imposta pelo humanismo renascentista; e a ignorância e o relaxamento moral do baixo clero favoreceram o desenvolvimento do grande cisma do Ocidente, registrado entre 1378 e 1417, e que teve entre suas principais causas a transferência da sede papal para a cidade francesa de Avignon e a eleição simultânea de dois e até de três pontífices. Uma angústia coletiva dominou todas as camadas sociais da época, inquietas com os abusos da Igreja, que exigia dos fiéis dízimos cada vez maiores e se enriqueciam progressivamente com a venda de cargos eclesiásticos. Bispos eram nomeados por razões políticas e os novos clérigos cobravam altos preços pelos seus serviços (indulgências), e nem sempre possuíam suficientes conhecimento de religião ou compreendiam os textos que recitavam. Com as rendas que auferiam, papas e bispos levavam uma vida de magnificência, enquanto os padres mais humildes, carentes de recursos, muitas vezes sustentavam suas paróquias com a instalação de tavernas, casas de jogo ou outros estabelecimentos lucrativos. Outros absurdos como a venda de objetos tidos como relíquias sagradas – por exemplo, lascas de madeira como sendo da cruz de Jesus Cristo – eram efetuados em profusão. Diante dessa situação alienante, pequenos grupos compostos por membros do clero e mesmo por leigos estudavam novas vias espirituais, preparando discretamente uma verdadeira reforma religiosa.
O Luteranismo na Alemanha
Na Alemanha, o frade agostiniano Martinho Lutero desenvolveu suas reflexões, criando a doutrina da justificação pela fé como único ponto de partida para aprofundar os ensinamentos que recebera. Segundo ele, "Deus não nos julga pelos pecados e pelas obras, mas pela nossa fé". Enquanto a concessão de indulgências como prática de devoção era entendida pelos cristãos como absolvição, a justificação pela fé defendida por Lutero não permitia atribuir valor às obras de caridade, opondo-se à teoria da salvação pelos méritos. Em 1517, Lutero publicou suas 95 teses, denunciando falsas seguranças dadas aos fiéis. Segundo diziam essas teses, só Deus poderia perdoar, e não o papa, e a única fonte de salvação da Igreja residia no Evangelho. Em torno dessa nova posição, iniciou-se na Alemanha um conflito entre dominicanos e agostinianos. Em 1520 o papa Leão X promulgou uma bula em que dava 60 dias para a execução da retratação de Lutero, que então queimou publicamente a bula papal, sendo excomungado. No entanto, Lutero recebera grande apoio e conquistara inúmeros adeptos da sua doutrina, como os humanistas, os nobres e os jovens estudantes. Consequentemente, uma revolta individual transformou-se num cisma geral. Na Alemanha as condições favoráveis à propagação do luteranismo se acentuaram devido à fraqueza do poder imperial, às ambições dos príncipes em relação aos bens da Igreja, às tensões sociais que opunham camponeses e senhores, e o nacionalismo, hostil às influências religiosas de Roma. O imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos V, tentou um acordo para tolerar o luteranismo onde já houvesse, mas pretendia impedir sua propagação. Cinco principados protestaram contra esta sanção, o que gerou o termo protestantismo. Sentindo a fragmentação cristã em seus domínios, Carlos V convocou a Dieta de Augsburg, visando conciliar protestantes e cristãos. Dada a impossibilidade de acordo, os príncipes católicos e o imperador acataram as condenações, na tentativa de eliminar o protestantismo luterano. Após anos de luta, em 1555, os protestantes venceram, e foi assinada a paz, que concedeu liberdade de religião no Santo Império. Lutero morreu em 1546, mas permaneceu como grande inspirador da Reforma. O movimento luterano abriu caminhos para rebeliões políticas e sociais, não previstas por Lutero. Em 1524 eclodiu a Revolta dos Camponeses, composta em sua maioria por membros de uma nova seita, os anabatistas. Extremamente agressivos e individualistas, levaram às concepções de Lutero sobre a livre interpretação da Bíblia e reclamavam a supressão da propriedade e a partilha das riquezas da Igreja. Embora sustentando a idéia de liberdade cristã, Lutero submetia-se a autoridades legítimas, recusando-se a apoiar os revoltosos. Condenou então as revoltas e incitou os nobres à repressão. Os camponeses foram vencidos e o protestantismo se expandiu apenas para os países escandinavos (Suécia, Noruega e Dinamarca), sendo instrumento de rebelião dos burgueses e comerciantes contra os senhores de terra, que eram nobres católicos.
O Calvinismo na França
Na França, o teólogo João Calvino posicionou-se com as obras protestantes e as idéias evangelistas, partindo da necessidade de dar à Reforma um corpo doutrinário lógico, eliminando todas as primeiras afirmações fundamentais de Lutero: a incapacidade do homem, a graça da salvação e o valor absoluto da fé. Calvino julgava Deus todo poderoso, estando a razão humana corrompida, incapaz de atingir a verdade. Segundo ele, o arrependimento não levaria o homem à salvação, pois este tinha natureza irremediavelmente pecadora. Formulou então a Teoria da Predestinação: Deus concedia a salvação a poucos eleitos, escolhidos por toda a eternidade. Nenhum homem poderia dizer com certeza se pertencia a este grupo, mas alguns fatores, entre os quais a obediência virtuosa, dar-lhe-iam esperança. Os protestantes franceses seguidores da doutrina calvinista eram chamados huguenotes, e se propagaram rapidamente pelo país. O calvinismo atingiu a Europa Central e Oriental. Calvino considerou o cristão livre de todas as proibições inexistentes em sua Escritura, o que tornava lícitas as práticas do capitalismo, determinando uma certa liberdade em relação à usura, enquanto Lutero, muito hostil ao capitalismo, considerava-o obra do demônio. Segundo Calvino, "Deus dispôs todas as coisas de modo a determinarem a sua própria vontade, chamando cada pessoa para sua vocação particular". Calvino morreu em Genebra, em 1564. Porém, mesmo após sua morte, as igrejas reformadas mantiveram-se em contínua expansão.
O Anglicanismo na Inglaterra
Na Inglaterra, o principal fato que desencadeou a Reforma religiosa foi a negação do papa Clemente VII a consentir a anulação do casamento do rei Henrique VIII com Catarina de Aragão, impedindo a consolidação da monarquia Tudor. Manipulando o clero, Henrique VIII atingiu seu objetivo: tornou-se chefe supremo da Igreja inglesa, anulou seu casamento e casou-se com Ana Bolena. A reação do papa foi imediata: excomungou o soberano e, em consequência, o Parlamento rompeu com Roma, dando ao rei o direito de governar a Igreja, de lutar contra as heresias e de excomungar. Consolidada a ruptura, Henrique VIII, através de seus conselheiros, organizou a Igreja na Inglaterra. Entretanto, a reforma de Henrique VIII constituiu mais uma alteração política do que doutrinária. As reais alterações teológicas surgiram no reinado de seu filho, Eduardo VI, que introduziu algumas modificações fortemente influenciadas pelo calvinismo. Foi no reinado de Elizabeth I, porém, que consolidou-se a Igreja Anglicana. A supremacia do Estado sobre a Igreja foi afirmada e Elizabeth I tornou-se chefe da Igreja Anglicana independente. A Reforma na Inglaterra representou uma necessidade de fortalecimento do Estado, na medida em que o rei transformou a religião numa via de dominação sobre seus súditos.
A Contra-Reforma
A reação oficial da Igreja contra a expansão do protestantismo ficou conhecida como Contra-Reforma. Em 1542, o papa Paulo III introduziu a Inquisição Romana, confiando aos dominicanos a função de impô-las aos Estados italianos. A nova instituição perseguiu todos aqueles que, através do humanismo ou das teologias luterana e calvinista, contrariavam o ortodoxia católica ou cometiam heresias. A Inquisição também foi aplicada em outros países, como Portugal e Espanha. Em 1545, a Igreja Católica tomou outra medida: uma comissão de reforma convocou o Concílio de Trento, desenvolvido em três fases principais, entre 1545 e 1563, fixou definitivamente o conteúdo da fé católica, praticamente reafirmando suas antigas doutrinas. Confirmou-se também o celibato clerical e sua hierarquia. Em 1559 criou-se ainda o Índice de Livros Proibidos, composto de uma lista de livros cuja leitura era proibida aos cristãos, por comprometer a fé e os costumes católicos.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

O que é Literatura?

Em sentido amplo, Literatura é todo o texto que expressa uma idéia por meio de palavras. Nesse caso, qualquer texto é Literatura: um estudo de medicina, uma receita culinária, um texto de jornal, o comentário de um filme etc.

Em sentido mais restrito, Literatura é a arte do uso da palavra. Assim como a música se faz pela combinação de sons, a pintura se faz no jogo de cores e formas, a dança com movimentos ritmados, a Literatura é a arte feita com palavras de forma individual e criativa com a finalidade de causar uma emoção, um estranhamento, uma reflexão, capaz de nos tirar da sonolência dos nossos gestos rotineiros e levar-nos à apreensão de uma “realidade especial” que, sem a Literatura, não teríamos descoberto.

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfaz a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se do triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

Obs: A Leitura é a sáida para a conscientização de todos os nossos traumas e sonhos, nos ensinando a viver conforme as nossas possibiliades, procurando sempre melhorar o ato de viver socialmente.

sábado, 27 de maio de 2006

Romantismo em Portugual

Folhas caídas, 1853 - Esta é a obra de Garrett mais de acordo com a estética do Romantismo. Nesses poemas, inspirados por sua paixão pela Viscondessa da Luz, casada, que lhe trouxe grandes infortúnios amorosos, Garrett finalmente se desliga de sua formação clássica e constrói versos simples, de inspiração nacional e folclórica. Veja o lirismo deste autor:
Barca Bela
Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo a vela
Só de vê-la,
Ó pescador!

Pescador da barca bela,
Inda é tempo foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

sexta-feira, 26 de maio de 2006